quinta-feira, 27 de setembro de 2007

A relação entre Fé e Razão



1. A relação entre fé e razão em Santo Agostinho

Aurélio Agostinho, tambem conhecido como Agostinho de Hipona ou Santo Agostinho foi um bispo católico, teólogo e filósofo que nasceu dia 13 de Novembro de 354 em Tagaste (hoje Souk-Ahras, na Argélia) e morreu dia 28 de Agosto de 430, em Hipona (hoje Annaba, na Argélia). É considerado pelos católicos como Santo e Doutor da Igreja.
O pensamento de Agostinho foi fundamental para orientar a visão do homem medieval sobre a relação entre a fé cristã e o estudo da natureza. Ele reconhecia a importância do conhecimento, mas entendia que a fé em Cristo vinha a restaurar a condição da razão humana, sendo assim mais importante. Agostinho afirmava que a interpretação das escrituras deveria ser feita de acordo com os conhecimentos disponíveis, em cada época, sobre o mundo natural. Seus escritos, como sua interpretação do livro bíblico de Gênesis, influenciaram a Igreja Medieval, que a partir daí teve uma visão mais interpretativa e menos literal dos textos sagrados.
Assim, a teoria agostiniana estabelece que todo conhecimento verdadeiro é o resultado de um processo de iluminação divina, que possibilita o homem contemplar as idéias da realidade. Nesse tipo de conhecimento a própria luz divina não é vista, mas serve apenas para iluminar as idéias. Um outro tipo seria aquele no qual o homem contempla a luz divina, olhando o próprio sol: a experiência mística.
Isso significa que, para Agostinho, a fé revela verdades para o homem de forma direta e intuitiva. Vem depois a razão esclarecendo aquilo que a fé já antecipou.


2. A relação entre fé e razão em Santo Tomás de Aquino

Tomás de Aquino, chamado de ''o mais sábio dos santos'' e ''o mais santo dos sábios'', nasceu de família nobre em março de 1225 no castelo de Roca-Sica, perto da cidade de Aquino, no reino de Nápoles, na Itália.

A partir dele, a Igreja tem uma teologia (fundada na revelação) e uma filosofia (baseada no exercício da razão humana) que se fundem numa síntese definitiva: fé e razão, unidas em sua orientação comum rumo a Deus, sustentando que a filosofia não pode ser substituída pela teologia e que ambas não se opõem. Ele tambem afirmou que não pode haver contradição entre a fé e a razão, explicando que toda a criação é boa, tudo o que existe é bom, por participar do ser de Deus, já o mal é a ausência de uma perfeição devida e a essência do mal é a privação ou ausência do bem.

Tomás de Aquino reviveu em grande parte o pensamento aristotélico com a finalidade de buscar nele os elementos racionais que explicassem os principais aspectos da fé cristã. Retomando as idéias de Aristóteles sobre o ser e o saber, Tomás de Aquino enfatizou a importância da realidade sensorial. No processo de conhecimento dessa realidade, ressaltou uma série de princípios considerados básicos, dentre os quais de destacam:
- princípio de contradição: o ser é e não é. Não existe nada que possa ser e não ser ao mesmo tempo e sob o mesmo ponto de vista
- princípio da substância: na existência dos seres podemos distinguir a substância ( a essência propriamente dita) e o acidente (a qualidade não-essencial, acessória do ser)
- princípio da causa eficiente: todos os seres que captamos pelos sentidos são seres contingentes, isto é, não possuem, em si próprios, a causa eficiente. Portanto, para existir, o ser contingente depende de um outro ser que representa a sua causa eficiente: este outro ser é chamado de ser necessário.
- princípio da finalidade: todo ser contingente existe em função de uma finalidade, de um objetivo, de uma razão de ser. Enfim, todo ser contingente possui uma causa final.
- princípio do ato e da potência: todo ser contingente possui duas dimensões – o ato e a potência. O ato representa a existência atual do ser, aquilo que está realizado e determinado. A potência representa a capacidade real do ser, aquilo que não se realizou mas pode realizar-se. È a passagem da potência para o ato que explica toda e qualquer mudança.

Então a harmonização, no plano social e político, entre poder temporal e poder espiritual seria análoga à que Santo Tomás procura estabelecer entre filosofia e teologia, entre razão e fé.

3. A relação entre fé e ciência hoje

Fé e ciência podem andar juntas? Muitos diriam que os cientistas precisam deixar de fora todas as influências religiosas porque, de outro modo, haveria prejuízo para a pesquisa da verdade. Contudo, Deus compreende os mais altos níveis da erudição, e não apenas os confortantes temas espirituais. Mesmo das ciências que parecem menos prováveis como a paleontologia e a geologia, podemos tirar proveito mediante intuições recebidas do Criador do Universo, percepções essas que outros ignoram.

Qualquer tentativa de integrar a fé e a erudição imediatamente apresenta tensão. Pode a religião introduzir preconceitos em nossa pesquisa científica da verdade? Sim, pode. Por exemplo, alguns cristãos conservadores crêem, na base do que consideram ensino bíblico, que os dinossauros nunca existiram. Mas numerosos esqueletos de dinossauros já foram achados. Uma solução é deixar a Bíblia fora de nossas preocupações acadêmicas, de modo que preconceitos religiosos não interfiram e possamos ser mais objetivos.

Os cientistas extraem suas idéias e hipóteses de muitos modos diferentes e não importa de onde elas venham (mesmo da Bíblia), porquanto só se tornam ciência válida se puderem ser substanciadas com fatos. A ciência, naturalmente, não tem nada a contribuir para avaliar boa parte do conteúdo da Bíblia. O fato de Jesus ter transformado água em vinho ou ressuscitado a Lázaro dentre os mortos está além do escrutínio científico. Que experimentos faria você para provar esses milagres bíblicos? Por outro lado, quando a cosmovisão bíblica sugere hipóteses verificáveis, essas se tornam contribuições válidas para a ciência.

Tentar integrar fé e ciência pode ajudar- nos a encontrar o equilíbrio entre hipóteses opostas. Por exemplo, nossas intuições bíblicas nos ajudaram a fazer as perguntas corretas e descobrir que, pelo menos, alguns depósitos geológicos se formaram com extrema rapidez.

Ou seja a fé pode interferir na ciência, por isso temos que entender a linguagem da Bíblia e análisa-la no mundo real. Para isso temos que entender o que é linguagem verdadeira e o que é linguagem metafórica.

REFERÊNCIAS

http://dialogue.adventist.org/articles/14_3_brand_p.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Tom%C3%A1s_de_Aquino

http://pt.wikipedia.org/wiki/Agostinho_de_Hipona